quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Artigo da semana: “Artes” de fazer multidões


Tempos de Salazar

Por pelo menos duas décadas e meia, vivi e trabalhei sob a ditadura salazarista. E a estudei, em suas formas políticas, sociais e policiais de agir para afirmar e exercer poder absoluto sobre consciências e vontades. Com a violência (explícita e/ou possível) da repressão policial, da censura prévia, do partido único, da aliança quase indestrutível com os mais ricos e da disseminação do medo entre as multidões pobres e desinformadas, Salazar construiu uma ditadura que reinou e resistiu por 45 anos. Assentada em um solidário tripé formado pelo poder policial, pelo poder econômico e pelo poder político do partido único, a ditadura salazarista adquiriu vida própria, sobrevivendo ao próprio ditador. Como qualquer ditador competente de qualquer tendência ideológica, Salazar foi um fabricante de “verdades” incontestáveis, e as impunha como “verdades” da Pátria, pelas muitas manhas e artimanhas da manipulação e do condicionamento – uma delas, o medo que levava as pessoas à opção pelo silêncio político. “Sou apolítico”, era a resposta que mais se ouvia de quem se sentia provocado por alguma pergunta sobre a situação do país. Ao mesmo tempo em que usava o medo para silenciar politicamente a população, Salazar criava, por mecanismos sub-reptícios de comunicação, o argumento persuasório da unanimidade. Faziam parte desses mecanismos a informação fraudulenta, ou seja, a desinformação, e a criação de símbolos com força e efeitos massivos de mito, com o uso significante e repetitivo de cores, gestos, comportamentos e slogans. Fazia parte desse aparato manipulador a criação formal de “legiões” civis, uma para crianças, adolescentes e jovens (a Mocidade Portuguesa), outra para adultos (a Legião Portuguesa). Essa face do salazarismo desfilava em uniformes esverdeados nos freqüentes eventos públicos ditos “cívicos” e “patrióticos”, geradores da imagem pública do regime. Tudo, em nome e para o bem da Pátria. Até a censura prévia tinha belos e patrióticos argumentos na lei que lhe dava força – por exemplo: defender a opinião pública “de todos os fatores que a desorientem contra a verdade, a justiça, a moral, a boa administração e o bem comum”; e “evitar que sejam atacados os princípios fundamentais da organização da sociedade”. Com tudo isso, criava-se, ou tentava-se criar, um pensamento mágico que não passava pela razão. Essa é a lógica da manipulação, da qual fazem parte os slogans, os gestos, e os símbolos, responsáveis pela mediação entre os instintos e as opiniões. Sempre com o apoio de mecanismos de repetição.

Tempos de Chávez

Sei lá por quê, me vêm à lembrança todos esses cenários do salazarismo sempre que vejo as impressionante foto das multidões chavistas, em Caracas. Milhares de pessoas uniformizadas, amalgamadas na unanimidade da cor vermelha e do gestual do punho erguido. E a multidão se entrega a slogans proclamados como “verdades”. “Verdades” em torno das quais se celebram os acordos da adesão sem questionamentos à vontade política de Chávez. Sei, porém, que a “realidade Chávez” pouco ou nada tem a ver com a “realidade Salazar”. Chávez foi democraticamente eleito, em eleições acompanhadas de perto por observadores internacionais. Tem e exerce um poder recebido das urnas. E, quer se goste ou não do seu estilo dramaticamente populista, é um líder verdadeiramente forte em seu país. Onde a oposição continua a existir e a manifestar-se, não sei com que limitações e possibilidades,

Mas que Hugo Chávez tem jeitos, trejeitos e impulsos de ditador, lá isso tem. Tão fortes, que nem ele faz questão de escondê-los. Como se trata de um político de razoável estofo intelectual, não custa a crer que tenha estudado muito bem as artes e malas-artes dos grandes ditadores retóricos do século XX – de Hitler a Fidel Castro. Pelas demonstrações que dá, não só estudou tais artes e malas-artes, mas as atualizou, adequando-as às suas ambições pessoais. Porém, como problema ou como solução, Chávez pertence aos venezuelanos. Razão mais do que suficiente para parar por aqui, propondo aos leitores a seguinte idéia-chave:

Criar um pensamento mágico que não passa pela razão é a lógica das manhas e artimanhas da manipulação, das quais fazem parte os slogans, o gestual e os símbolos, responsáveis pela mediação entre os instintos e as opiniões. Sempre com o apoio de mecanismos de repetição – como Salazar fazia e os ditadores e demagogos de hoje continuam a fazer.

Texto extraído do blogue do professor Carlos Chaparro
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Sugestão de Pauta: Caged: número de empregos criados em novembro é recorde para o período


O ministro do Trabalho, Carlos Lupi (foto), anuncia os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do mês de novembro. O país gerou 246.695 postos de trabalho formal, o que representa um recorde para o mês. No ano, o país acumula a criação de 1.410.302 vagas. Em novembro foram admitidos 1.413.043 trabalhadores e demitidos 1.166.348.
O comércio (1,61%) , os serviços (0,66%) e as indústrias de transformação (0,53%), de construção civil (0,83%), e extrativa mineral (0,35%) foram os setores que mais geraram emprego no período.
A agricultura foi o único setor que apresentou queda do emprego no período, em função da entressafra. Foram demitidos 16.628 trabalhadores, o que representa -0,99% do total de mão de obra empregada. Os dados constam do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho, divulgado hoje (16).

Fonte: Agência Brasil

Sugestão de Pauta: Colônia de férias aborda a magia do circo


É tempo de férias escolares para a criançada que combina com corre-corre, pés descalços, e liberdade para soltar a imaginação. Nesse sentido, o Serviço Social do Comércio (SESC) promove “Brincando nas férias” entre os dias 11 e 22 de janeiro na unidade de Mossoró. Este ano, a Instituição traz o tema “Viva o Circo” e faz um resgate da cultura popular homenageando a arte circense.

O evento é destinado ao público infantil de 05 a 12 anos. A programação contempla atividades de cunho recreativo, esportivo e cultural. Haverá gincanas recreativas, cinema, aplicação de flúor, caça ao tesouro, oficina de arte circense, brinquedoteca, fantoches, jogos tradicionais, banho de piscina, e prática de modalidades esportivas como futebol e vôlei.

“Vamos levar o encantamento do riso e da alegria do circo para as crianças, oferecendo como uma opção de lazer educativo”, explica Anne Lizabelle, assistente social e responsável pelo setor de atividades recreativas do SESC. Na última edição da colônia de férias, a instituição abordou a adoção de práticas sustentáveis para preservar o meio ambiente.

O número de vagas é limitado e os interessados devem inscrever-se no período da manhã, tarde ou noite no setor técnico ou na biblioteca do SESC. O valor da taxa de inscrição é R$ 30,00 para os sócios, R$ 50,00 para conveniados, e R$ 60,00 para demais usuários. Mais informações, entrar em contato com o atendimento pelo fone (84) 3316-3665.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Conferência de Comunicação debate controle social da mídia


Ontem, assistindo o Jornal Nacional vi a notícia abaixo.

Começou, nesta segunda-feira, em Brasília, a primeira Conferência Nacional de Comunicação, que pretende debater propostas sobre a produção e distribuição de informações jornalísticas e culturais no país. Entre as propostas, estão o controle social da mídia por meio de conselhos de comunicação e uma nova lei de imprensa. O fórum foi convocado pelo Governo Federal e conta com 1.684 delegados, 40% vindos da sociedade civil, 40% do empresariado e 20% do poder público.Mas a representatividade da conferência ficou comprometida sem a participação dos principais veículos de comunicação do Brasil. Há quatro meses, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Associação Brasileira de Internet, a Associação Brasileira de TV por Assinatura, a Associação dos Jornais e Revistas do Interior do Brasil, a Associação Nacional dos Editores de Revistas e a Associação Nacional de Jornais divulgaram uma nota conjunta em que expõem os motivos de terem decidido não participar da conferência. Todos consideraram as propostas de estabelecer um controle social da mídia uma forma de censurar os órgãos de imprensa, cerceando a liberdade de expressão, o direito à informação e a livre iniciativa, todos previstos na Constituição.Os organizadores negam que a intenção seja cercear direitos. A conferência foi aberta com a participação do presidente Lula.

Fonte: Globo.com

É interessante notar que os grandes conglomerados de veículos de comunicação do país optaram por não comparecer a conferência. A discussão do conselho federal de jornalismo é antiga. Lembro de estar nos dois primeiros anos da minha faculdade e acompanhar as primeiras colocações sobre o assunto. Naquela época, foi enterrada a história do conselho e hoje voltou-se a falar no assunto.

Penso que a categoria necessita de organização quanto a planos de cargos, carreiras e salários em todos os estados brasileiros. O piso salarial do jornalista é baixíssimo no Rio Grande do Norte e maioria dos veículos de comunicação costumam trabalhar apenas com o valor mínimo e não consideram como ponto de partida. Acredito que a presença de um conselho de jornalismo ajudaria neste ponto, mas o que mais se discute pelo governo é necessidade de controle da mídia.

As experiências de controle da imprensa que temos na América Latina chama-se ditadura bolivariana comandada pelo Hugo Chávez. Não quero comparar as realidades. Apenas posicionar-se contra a uma função do conselho de jornalismo de controlar a mídia. O passado brasileiro de repressão a imprensa é de fazer chorar qualquer ser humano.