quinta-feira, 24 de abril de 2008

Caso Isabela : A entrevista de Valmir Salaro


Nos últimos dias, surgiu uma polêmica entre os amigos jornalistas pela condução da entrevista do repórter Valmir Salaro com o pai e a madrasta da menina Isabela, Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá. Tudo partiu do ponto que Valmir não teria perguntado ao casal indiciado questões como: O que aconteceu no dia do crime? Por que havia sangue no carro? Por que ele falou que tinha um ladrão no apartamento e depois mudou a conversa? Quem eles imaginam que seja a terceira pessoa?, entre outras.


Caros amigos jornalistas, desse jeito parece que somos os investigadores policiais tentando desvendar um caso a cada matéria ou entrevista. Não podemos confundir jornalismo investigativo com interrogatório policial. Este trabalho é da polícia. Como jornalistas temos o dever de apurar os fatos e oferecer espaço para defesa de ambos os lados.


Muita coisa foi divulgada sobre o casal e até então nenhuma defesa ou resposta foi dada. A entrevista foi para que o casal se defendesse das acusações. Eles poderiam falar o que quiserem, embora que Valmir Salaro como nos pareceu não pode perguntar o quis. Afinal a entrevista partiu de um acordo com os advogados de defesa.


Mais uma vez, vou insistir: somos jornalistas e não detetives policiais. Temos a obrigação de divulgar e apurar os fatos. Dar oportunidade para que os dois lados se pronunciem. Para mim, a imprensa está se envolvendo por meio da opinião pública que quer uma resposta diante da injustiça ocorrida.


O repórter Valmir Salaro, da Rede Globo, deu a primeira notícia sobre a Escola Base, abateu-se com o linchamento moral dos denunciados e desde então faz o que o conjunto da mídia deveria fazer: por mais espetacular que seja a notícia e mais eloquente o delegado, Salaro checa antes de divulgar. Mais de uma vez convenceu os chefes de que a notícia era boa mas seu efeito ruim demais para que fosse publicada sem equidade. Mais de uma vez, viu a notícia nos concorrentes enquanto aprofundava sua investigação.


Veja este depoimento dele:


"Hoje eu sinto muita, muita dificuldade para fazer reportagem policial. Sinto-me usado, me sinto como um carrasco, quando o papel do repórter teria de ser outro; ele teria que fiscalizar a polícia e ajudar a sociedade. Hoje você acaba sendo uma espécie da ponta-de-lança da polícia. Se a polícia apresenta uma pessoa como sendo um “grande bandido”, você acaba embarcando e divulgando essa versão, e muitas vezes prejudica a vida desse suposto bandido que na verdade não passa de um coitado."


Somente reforça tudo que falei até aqui. Discorda ou concorda, então comente neste espaço.


Everton Lima é jornalista

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