segunda-feira, 19 de maio de 2008

"Não tenho mais paciência para ler o que se chama editoria política dos jornais", diz FHC


No último final de semana, o jornalista Ricardo Kotscho publicou, no IG, entrevista exclusiva com o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Um dos temas abordados na conversa foi a mídia. A editoria de política dos jornais brasileiros foi severamente criticada por FHC. "Eu acho que o brasileiro sempre teve boa auto-estima. As pesquisas mostram isso. O povo sempre acreditou no Brasil, mais do que os políticos e os jornalistas. Eu tinha essa mesma sensação no meu governo. O lado negativo era muito mais a fofoca da política, que fica uma coisa cansativa, repetitiva. Vou lhe dizer uma coisa: eu não tenho mais paciência para ler o que se chama editoria política dos jornais".


O ex-presidente justificou sua impaciência com os cadernos. "É muita intriga, é jogar um contra o outro. Você sabe que é intriga. Vejo que dizem a meu respeito, sobre o que eu penso, o que eu falo... Isso não corresponde ao que eu penso, ao que eu falo, muitas vezes. O jornalista não é ele que faz a intriga, não. É outro que fala para ele. O sujeito vem aqui falar comigo e sai daqui contando para os jornalistas que eu disse não-sei-o-que, que eu penso isso ou aquilo, tira do contexto", afirmou.


Fernando Henrique criticou o hábito de alguns jornalistas de forçar o entrevistado a "falar mal" das pessoas para que sejam pinçadas frases de efeito. "Olha, não há uma entrevista que eu dê, com pouquíssimas exceções como a sua, que não me forcem a falar mal para pinçar uma frase contra o Lula. Aí eles vão ao Lula e fazem a mesma coisa comigo. Uma pessoa que assiste à televisão, o que ela vê hoje? Ela vê esporte, crime, violência, bandalheira, corrupção, e o presidente Lula falando. Não tem mais nada", disse à Ricardo Kotscho.


Para o ex-presidente, a população acaba se informando de forma rasa na televisão, já que é "o dia inteiro, todo dia a mesma pauta". No entanto, ele acredita que os jornais sejam mais abertos e elogia alguns colunistas sem citar os nomes. "O jornal é mais aberto, tem alguns colunistas excelentes. Não vou nominar, mas são quatro ou cinco de primeira grandeza. Agora, a reportagem, o dia-a-dia da política, é só fofoca!".
Fonte: Portal Imprensa
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