terça-feira, 24 de junho de 2008

Meu Estado: Alerta! Tráfico Humano em Mossoró-RN


Caros amigos leitores do blogue, quero alerta-los quanto a este perigo que assola o mundo. Jovens são sequestrados para serem escravos sexuais, mão-de-obra barata e em algumas vezes mortos para utilizarem os orgãos do individuo. A prática criminosa do tráfico humano é uma realidade. As famílias das vítimas precisam denunciar a Polícia Federal para que haja um combate a esta prática. Veja abaixo uma matéria divulgada no jornal De Fato, do munícipio de Mossoró, no Rio Grande do Norte:


Jovens fogem e voltam para a família


Andrey Ricardo

Da Redação


Dois jovens (um de Mossoró e outro de Grossos) que estavam sob a custódia de uma rede de traficantes de pessoas, fugiram e retornaram às suas famílias. A dupla estava em uma casa na cidade de Santo André, situada na Região Metropolitana, a 18 km da capital paulista, que era coordenada por uma mulher, que desempenhava o papel de cafetina. Os dois não quiseram falar ao DE FATO por medo de alguma represália, mas uma fonte informou que outros rapazes continuam presos e são obrigados a se prostituir.


Segundo apurou a reportagem, os jovens foram levados para uma casa e eram mantidos sob as ordens de uma mulher, que os recebia através de outra pessoa (provavelmente este é o agenciador dos homossexuais). Os dois embarcaram em vôos e datas diferentes. O rapaz de Grossos saiu de Fortaleza no dia 10 deste mês, juntamente com outras quatro pessoas de Mossoró. Já o mossoroense que conseguiu fugir, embarcou em Fortaleza no dia 15. Com uma outra pessoa juntou-se aos demais em Santo André. A fonte não soube precisar com exatidão o número de pessoas que estavam na residência.


Depois que fugiram, os dois rapazes entraram em contato com suas famílias e pediram dinheiro para poder comprar a passagem de volta para o RN. "Ele ligou na terça-feira (17) à noite pedindo R$ 500. Depois, ele ligou de novo, na sexta-feira, dizendo que tinha conseguido uma carona pra voltar, mas não deu certo e ele pediu mais dinheiro pra completar o valor da passagem", diz a mãe de um dos rapazes, que pede para não ser identificada na reportagem. Ao todo, ela conta que gastou mais de R$ 800. "Ele chegou em Mossoró no sábado. Uma tia do outro foi pegá-los na rodoviária de Natal", destaca.


A reportagem tentou manter contato com as duas vítimas, mas nenhuma delas aceitou falar sobre o que aconteceu. Por telefone, um deles disse que as informações passadas pela fonte do DE FATO são mentirosas. "Não aconteceu nada demais lá. Isso que estão dizendo aí é tudo mentira. Estão fazendo um bicho. A gente veio porque não deu pra a gente lá", disse um deles, que ao ser questionado sobre a sua volta, desconversou. "Isso aí é um processo complicado que eu não quero falar", disse. Na casa do outro rapaz, a reação foi semelhante. "Não tenho nada para falar", disse o pai.Segundo informou a fonte do DE FATO, os jovens e suas famílias não quiseram tocar no assunto porque temem alguma represália da rede. "Ele não vai falar porque está com medo do pessoal vir buscar ele aqui em casa", explicou, acrescentando que a vítima não saiu mais de casa depois que retornou. "Ele não está nem saindo de casa", complementa. Já a mãe de um deles, diz que sugeriu ao filho que procurasse a polícia, mas ele se recusou. "Ele disse pra eu deixar pra lá porque tinha gente grande envolvida e que era perigoso. Por mim, a gente fala para a Polícia Federal. Ainda tem gente lá presa", desabafa.


Ainda segundo o que apurou o DE FATO, a responsável pela casa obrigava os homossexuais a saírem para se prostituir. "Os rapazes só podiam voltar para a casa se trouxessem dinheiro", revela o informante. Segundo a mãe de um dos rapazes, a casa onde eles estavam, possuía um sistema de câmeras. "Eles não podiam fazer nada porque tinha câmera pra todo lado", revela a mulher. "Eles fugiram porque tiveram uma brecha, mas eu acho que os outros não vão mais poder sair", comenta a mãe, mostrando-se preocupada com a situação dos outros que não conseguiram voltar. "Tem um amigo dele que ficou", diz.
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