quarta-feira, 28 de julho de 2010

Comunicação: Reinventando o Jornalismo Parte I



              O jornalismo é uma atividade responsável pela divulgação dos acontecimentos do mundo e fornece informações para a interpretação da opinião pública. Entende-se que a sua primeira obrigação é com verdade dos fatos, abertura para crítica e o compromisso público na construção da sociedade democrática e da difusão da liberdade de expressão e informação. O conteúdo jornalístico deve fortalecer a inclusão dos cidadãos para uma participação ativa em sua nação, diante das suas problemáticas e prospecções do cotidiano.
             Esta premissa supõe a existência de uma imprensa livre sem censura política e econômica. Segundo a proposta de Kovach e Rosenstiel¹, o jornalista deve fornecer informação independente, confiável, precisa e compreensível, ao se mostrar contrário a essa linha, subverte a linha democrática. O desenvolvimento dos meios de comunicação sempre teve uma relação com os interesses políticos e econômicos. As gazetas, da genealogia dos jornais impressos, traziam informações de cunho mercantil no século XVI, como colheitas, chegadas de navios, cotações de produtos e relatos de guerra. A publicação possuía leitores por toda a Europa, especialmente no maior centro comercial daquele período, Veneza. 
            Nessa mesma época, na França, o poder político central censurava as gazetas de forma severa, estabelecendo controle sobre a autorização de circulação. O primeiro direito de publicação foi concedido em 1611 ao Mercure Français, com periodicidade anual e era dirigido por aliados do regime. A difusão da informação pública na Europa do século XVI deve-se não somente ao crescimento econômico e a concentração do poder político, mas consolidação da vida urbana e a constituição do público leitor. A constituição dos primeiros jornais tem como pano de fundo a história universal, na qual temos a ascensão da burguesia e dos valores capitalistas de acúmulo de bens e competição. No caso do Brasil, a imprensa cresceu na transição da ditadura militar para democracia, em meio a repressão e censura política. A Constituição de 1988 apagou os resquícios do regime militar e estabeleceu princípios democráticos no país.  
             O controle da informação e da liberdade de expressão nos meios de comunicação exercida pela estrutura política e ideológica, abre espaço para um tipo de dependência por parte das mídias. As empresas de comunicação sustentadas pela verba da publicidade atendem aos interesses comerciais dos seus clientes e patrocinadores, na visão de aumento de lucros. Porém, esta relação coloca em jogo a produção jornalística de uma informação independente comprometida com cidadãos livres.
             O jornalista Eugênio Bucci, em um artigo para o Jornal do Brasil do dia 14 de fevereiro de 2002, comenta que a publicidade existe para vender e não para dar o sentido do mundo. O jornalismo é função pública antes de ser função de mercado; existe para atender o direito à informação, direito que todos temos, e não para atender aos caprichos do marketing publicitário. Tanto que pode existir jornalismo sem publicidade. Tanto que o melhor jornalismo é aquele que não se deixa pressionar pelas demandas publicitárias, por mais dinheiro que elas tragam.

1- Livro Os elementos do jornalismo. O que a imprensa deve saber e o público exigir?
 

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