sexta-feira, 30 de julho de 2010

Comunicação: Reinventando o Jornalismo Parte Final - A era dos blogues



A blogosfera comunga das características e ferramentas da Internet de navegabilidade, interatividade, hipertexto e multimídia. Os Blogues originados na proposta de diário íntimo na web assumem sua utilidade para o jornalismo como espaços de divulgação de notícias, opinião e interpretação dos fatos. Os blogueiros, donos de páginas pessoais, podem veicular uma notícia antes mesmo que os veículos de comunicação tradicionais conseguissem fazê-lo. A forma da notícia é diferente, com as interpretações e comentários dos acontecimentos.
            Denise Schittine¹ destaca a cobertura de fatos como o atentado de 11 de setembro, que revelou editores autônomos e deu aos seus diários íntimos uma enorme relevância jornalística. Denise conta que a brasileira Deborah Andrade, de apenas 19 anos, moradora de Nova York, tinha um blogue considerado “bobagem de adolescente” para os demais usuários, e conseguiu um grande número de acessos no período da tragédia americana. Ela relatou os momentos de angústia do ataque sob a sua visão particular e ficou impressionada com o sucesso do diário em informar as pessoas em tempo real.
    As empresas jornalísticas passaram a observar a importância dos blogues no relacionamento com a informação, isso por que muitos blogueiros extraíram do dispositivo o potencial para o jornalismo, tornando-se jornalistas, formadores de opinião. Schittine comenta que não é mais o blogueiro que procura o meio de comunicação, o próprio jornal começa a vê-lo como fonte de informação. O jornal britânico The Guardian contratou um blogueiro iraquiano para escrever sobre o dia a dia em Bagdá, uma cobertura on-line. O nome Salam (paz em árabe) é o pseudônimo do blogueiro para uso de identidade secreta na Internet.
            No Brasil, as empresas jornalísticas utilizaram os blogueiros para acompanhar segmentos diferentes da informação para coberturas mais específicas. No portal Globo.com, o blogue Por dentro dos boxes dos repórteres Carlos Gil e Pedro Bassan, mostra os bastidores da Formúla 1, campeonato de automobilismo reconhecido mundialmente. Eles contam detalhes das disputas entre pilotos e equipes, as especulações do mercado de contratos e suas impressões pessoais das corridas e acontecimentos. Os fãs do automobilismo acessam o blogue para obter informações do seu piloto preferido que ficam nas entrelinhas das matérias divulgadas.
            O fato é que jornalistas e profissionais de outras áreas utilizam a liberdade de inserção de conteúdo no blogue para aprofundar temas de conhecimento do público na linha opinativa. Schittine aponta outro exemplo, o blogueiro Sérgio Faria, um dos pioneiros do gênero. Ele é redator de publicidade, e foi o primeiro a dar um furor jornalístico no universo blogueiro. Em maio de 2001, o senador Antônio Carlos Magalhães renunciou ao mandato, o blogue de Sérgio, Catarro Verde, noticiou em primeira mão que o discurso proferido por ACM tinha sido plagiado de um antigo discurso do ex-senador Afonso Arinos. A descoberta ocorreu, devido ao hobby de Sérgio de colecionar discursos sonoros antigos. A sua preferência pessoal e um texto original são suficientes para atrair a atenção dos leitores e dos principais jornais do país.
            Percebemos, então, que o blogue possui potencial para a vocação jornalística e que confere aos blogueiros um papel diferenciado dos profissionais que atuam nas mídias tradicionais. O conteúdo publicado é filtrado pela subjetividade de quem produz, dependendo de si a qualidade do texto e a influência que poderá exercer sobre o leitor. Mas é necessário um estilo individual que identifique de forma autêntica a escrita pessoal do blogueiro.

2 - SCHITTINE, Denise. Blog: a comunicação escrita íntima na internet. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004

Postar um comentário